PF e ICMBio desmontaram garimpo ilegal de ouro em área protegida do Amazonas. Operação inutilizou R$ 8 milhões em estruturas e apreendeu mercúrio, ouro e drogas.
Manaus (AM) – A Polícia Federal (PF) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desarticularam, nesta terça-feira, dia 26 de maio, um garimpo ilegal de ouro que operava dentro da Estação Ecológica Juami-Japurá, área federal de proteção ambiental localizada no noroeste do Amazonas.
A operação atingiu estruturas usadas na mineração clandestina e inutilizou equipamentos avaliados em cerca de R$ 8 milhões, segundo a Polícia Federal. Além disso, os agentes aplicaram mais de R$ 1 milhão em multas ambientais.
A ação contou com apoio do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e teve como alvo dragas, embarcações, escavadeiras, motores, equipamentos de comunicação e combustível usados na exploração ilegal de ouro.
Ouro, mercúrio, drogas e armas foram apreendidos
Durante a fiscalização, os agentes encontraram e apreenderam:
- cerca de 70 gramas de ouro;
- 2,1 quilos de mercúrio, substância tóxica usada no processamento do minério;
- 7,9 gramas de cocaína;
- 156,7 gramas de maconha;
- armamentos e munições.
Segundo a PF, o mercúrio seria usado no processo de amalgamação do ouro, técnica frequentemente associada à contaminação de rios e à destruição de ecossistemas amazônicos.
Os agentes também identificaram um modelo de exploração considerado incomum na região, conhecido como garimpo do tipo “baixão”, apontado pelos órgãos ambientais como uma modalidade de alto potencial de degradação.
Área protegida é estratégica para a Amazônia
A operação ocorreu dentro da Estação Ecológica Juami-Japurá, uma Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral criada para proteger a biodiversidade amazônica e a bacia hidrográfica do Rio Juami.
Segundo o ICMBio, a área tem papel estratégico para a preservação da floresta e dos cursos d’água da região.
A atividade garimpeira ilegal costuma provocar desmatamento, destruição da mata ciliar, assoreamento dos rios e contaminação ambiental, especialmente pelo uso de mercúrio.
Mercúrio
O mercúrio usado no garimpo pode contaminar rios, peixes e populações humanas, incluindo comunidades ribeirinhas e indígenas. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de instituições amazônicas apontam riscos neurológicos e impactos duradouros à saúde em áreas com mineração ilegal.
Fonte: Polícia Federal, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Censipam.
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