Manaus (AM) – A mais de 1.200 quilômetros de Manaus, na fronteira simbólica entre o Amazonas e o Acre, a inauguração do Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues” marca uma revolução na assistência ribeirinha. Localizada na comunidade do Ubim, dentro da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Gregório, em Eirunepé, a unidade agora é o porto seguro para mais de 990 moradores de 30 comunidades que, até então, enfrentavam uma odisseia fluvial para conseguir uma simples consulta.
Fim da barreira logística
Para os moradores da Resex Rio Gregório, a saúde sempre dependeu do rio. Uma viagem até a sede de Eirunepé pode levar 3 dias em barcos regionais — tempo que se torna imprevisível durante a estiagem. Com o novo ponto, que custou R$ 2 milhões, o atendimento básico e especializado chega à beira do rio por meio da telessaúde.
A iniciativa é fruto do programa Juntos Contra a Pobreza, articulado pela Vale, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), BNDES, IDIS e a prefeitura local.
O que o novo posto oferece:
- Presença Permanente: Uma técnica de enfermagem reside no local para garantir vacinação, pré-natal e curativos.
- Telessaúde: Conexão de internet via satélite permite que médicos especialistas em Eirunepé ou Manaus atendam pacientes por vídeo.
- Estrutura Completa: Consultório multiprofissional, consultório odontológico para pequenas cirurgias, farmácia básica e alojamento para equipes itinerantes.
- Missões Médicas: Visitas presenciais de médicos e dentistas a cada dois meses, com duração de 15 dias.
Foco nas privações críticas
O diagnóstico da FAS identificou que apenas 40% das gestantes da região conseguiam fazer o pré-natal adequado devido à distância. Além disso, o acompanhamento de doenças crônicas como a hipertensão era quase inexistente. “Precisamos proteger as pessoas que protegem a Amazônia”, afirmou Márcia Soares, gerente do Fundo Vale, destacando que o projeto visa dar dignidade para que as famílias permaneçam em seus territórios.
🔵 ENTENDA
O Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), validado pela Universidade de Oxford e usado neste projeto, entende que a pobreza não é apenas falta de dinheiro, mas a ausência de acesso a saúde, educação e saneamento. Na Amazônia profunda, a “pobreza de acesso” é o maior desafio. O modelo híbrido (presencial + telessaúde) é a solução mais moderna para vencer as distâncias continentais do Amazonas, integrando as comunidades isoladas à rede formal do SUS sem retirá-las de suas raízes.
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