Brasília (DF) – Os sistemas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão completamente fora do ar desde as 19h desta terça-feira (27) e só devem voltar a funcionar às 23h do dia 1º de fevereiro. A paralisação atinge todo o país e afeta diretamente segurados, advogados e a Justiça Federal.
Sem acesso aos sistemas, não é possível consultar dados essenciais para a análise de benefícios e o andamento de processos previdenciários. Informações como vínculos empregatícios, contribuições, histórico de benefícios e dados cadastrais permanecem indisponíveis.
Paralisação ocorre para modernização e segurança
Segundo nota do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), a suspensão temporária ocorre para procedimentos de modernização dos sistemas e reforço da segurança cibernética das bases de dados previdenciárias.
Durante o período, todos os serviços dependentes das plataformas do INSS ficam indisponíveis, com exceção do sistema PrevJud, que segue ativo para o envio de ordens judiciais.
Impacto direto nos processos previdenciários
A indisponibilidade afeta processos administrativos e judiciais em tramitação em todo o país. Advogados, magistrados e servidores da Justiça Federal não conseguem obter respostas técnicas da autarquia enquanto durar a manutenção.
Na prática, a paralisação compromete a implantação de benefícios, o cumprimento de decisões judiciais e o envio de informações essenciais para o andamento dos processos.
Atenção redobrada aos prazos
Diante do cenário, especialistas alertam para a necessidade de cautela e alinhamento de expectativas. Mesmo com o PrevJud em funcionamento, há atraso inevitável entre o envio das ordens judiciais e a efetiva execução.
Segundo o advogado Mário Vianna, especialista em Direito Previdenciário e CEO da Vianna Advocacia, o problema ocorre em um momento de alta demanda pelos serviços do INSS.
“Todo início de ano, com o reajuste do salário-mínimo, há aumento da margem consignável. Isso gera uma explosão de consultas para empréstimos e sobrecarrega os sistemas da Dataprev. Em 2024, a estimativa foi de um aumento de cerca de 700% nessas consultas”, explica.
Prejuízo maior para regiões vulneráveis
A paralisação também evidencia impactos sociais relevantes, principalmente em regiões afastadas dos grandes centros urbanos. No interior do Amazonas, por exemplo, muitos segurados dependem de longos deslocamentos para perícias e atendimentos presenciais.
Com os sistemas fora do ar, remarcações tornam-se inviáveis em curto prazo, ampliando os prejuízos para a população mais vulnerável.
“Fica a dúvida sobre como serão tratados os prazos que não puderam ser cumpridos por instabilidade do sistema. É legítimo questionar se não seria possível realizar ajustes sem penalizar novamente os segurados, que quase sempre acabam pagando essa conta”, conclui Mário Vianna.
*Com informações da assessoria
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