A Floresta Amazônica abriga uma das maiores diversidades de aranhas do planeta. Entre espécies gigantes, caçadoras que não dependem de teias e pequenas aranhas que constroem estruturas impressionantes, esses animais ocupam praticamente todos os ambientes da floresta.
Um levantamento realizado em Porto Urucu, no Amazonas, encontrou 4.201 aranhas pertencentes a 43 famílias e 393 morfoespécies durante uma pesquisa em áreas de floresta. O resultado dá uma dimensão da variedade desses animais na região. (Acta INPA)
Apesar da fama que algumas espécies carregam, a grande maioria das aranhas não representa risco significativo para as pessoas. No Brasil, apenas os gêneros Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus são considerados de importância médica devido ao potencial de seus venenos. (Instituto Butantan)
Conheça algumas espécies e grupos encontrados na Amazônia.
1. Aranha-golias-comedora-de-pássaros (Theraphosa blondi)

Aranha-golias-comedora-de-pássaros
A aranha-golias, também conhecida como tarântula-golias, está entre as maiores aranhas conhecidas em massa corporal e tamanho.
A espécie ocorre na região amazônica. Registros do Parque Amazônico da Guiana, por exemplo, incluem Theraphosa blondii entre as aranhas observadas na região. (Biodiversité Parc Amazonien Guyane)
Apesar do nome popular “comedora de pássaros”, pequenos vertebrados não são a base de sua alimentação. A espécie é uma predadora oportunista e pode capturar diferentes animais que consegue dominar.
Como outras caranguejeiras, possui corpo robusto e coberto por pelos. O tamanho impressionante não significa que seja uma das aranhas de maior importância médica para os seres humanos.
2. Aranha-Armadeira (Phoneutria fera)

A armadeira é uma das aranhas de maior importância médica encontradas na Amazônia.
A espécie Phoneutria fera possui registros na região amazônica, incluindo observações recentes no Parque Amazônico da Guiana. (Biodiversité Parc Amazonien Guyane)
O nome “armadeira” vem da postura defensiva adotada quando o animal se sente ameaçado. Ela levanta as pernas anteriores e pode permanecer nessa posição antes de tentar fugir ou reagir à ameaça.
O gênero Phoneutria possui veneno capaz de provocar dor intensa e outros sintomas. O Instituto Butantan informa que acidentes podem causar dor imediata, vermelhidão e inchaço e, em casos mais graves, manifestações sistêmicas. (Instituto Butantan)
Por isso, o contato direto deve ser evitado.
3. Aranha-marrom (Loxosceles)

Aranha-marrom
As aranhas do gênero Loxosceles, conhecidas popularmente como aranhas-marrons, estão entre as espécies de maior importância médica do Brasil.
O veneno pode provocar lesões na pele e, em alguns casos, alterações sistêmicas graves. O acidente costuma acontecer quando a aranha é pressionada contra o corpo, inclusive dentro de roupas ou durante o sono. (Instituto Butantan)
O gênero possui espécies registradas no Norte do Brasil. Por isso, é importante evitar afirmar que toda aranha pequena e marrom encontrada em uma residência seja uma Loxosceles: a identificação correta depende de avaliação especializada.
4. Aranha-saltadora (Maeota dichrura)

Aranha-saltadora
As aranhas-saltadoras pertencem à família Salticidae, um dos grupos mais diversos de aranhas.
Maeota dichrura possui registros no Brasil e em outros países da América do Sul. Como outras saltadoras, pertence a um grupo conhecido pela capacidade de realizar saltos rápidos durante a caça.
Em vez de depender de uma grande teia para capturar suas presas, essas aranhas costumam localizar o alvo visualmente e se aproximar antes de realizar o salto.
Sua estratégia de caça é um dos exemplos de como diferentes espécies desenvolveram maneiras muito distintas de sobreviver na floresta.
5. Aranha-de-alçapão (Trechona venosa)

Aranha-de-alçapão
As aranhas-de-alçapão são especialistas em viver no solo.
A Trechona venosa possui registro associado à fauna amazônica e constrói seu abrigo no solo, onde permanece protegida até o momento de capturar uma presa.
Essas aranhas passam grande parte da vida escondidas. A estrutura da toca funciona como abrigo e também como ponto de espera para a caça.
A estratégia contrasta com a de espécies que constroem grandes teias expostas entre árvores e arbustos.
6. Aranha-tecedeira (Nephila clavipes)

Aranha-tecedeira
A Nephila clavipes é conhecida por construir grandes teias orbiculares e resistentes.
A espécie foi registrada em diferentes áreas da Amazônia brasileira, inclusive em levantamentos realizados no Pico da Neblina, no Amazonas. (ResearchGate)
Suas teias podem ocupar espaços entre galhos e vegetação e funcionam como armadilhas para insetos voadores.
Ocasionalmente, animais maiores também podem ficar presos na estrutura. Há registros científicos de aves encontradas em teias de Nephila, mas isso não significa que aves façam parte da alimentação habitual da espécie.
7. Aranha-espinhosa (Micrathena schreibersi)

Aranha-espinhosa
Pequena e facilmente reconhecida pelo formato do abdômen, Micrathena schreibersi faz parte de um grupo de aranhas que constrói teias circulares.
A espécie aparece em registros da fauna amazônica. Levantamentos realizados na Reserva Florestal Adolfo Ducke, em Manaus, também registraram Micrathena schreibersi entre as espécies encontradas na área. (ResearchGate)
O corpo apresenta projeções semelhantes a espinhos, característica que ajuda a diferenciar essas aranhas de outros animais que vivem entre a vegetação.
A família Araneidae, à qual pertence o gênero Micrathena, reúne muitas espécies que dependem de teias para capturar pequenos artrópodes.
8. Aranha-caçadora-gigante (Ancylometes rufus)

Aranha-caçadora-gigante
Nem todas as aranhas amazônicas dependem de teias para capturar alimento.
Ancylometes rufus pertence à família Ctenidae e aparece em levantamentos da araneofauna amazônica. A espécie também possui registros recentes no Parque Amazônico da Guiana. (Biodiversité Parc Amazonien Guyane)
As aranhas desse grupo são caçadoras e podem se deslocar pelo ambiente em busca de presas.
A aparência e o tamanho podem chamar atenção, mas o simples fato de uma aranha ser grande não significa que ela tenha importância médica.
9. Aranha-de-teia-social (Anelosimus eximius)

Anelosimus eximius apresenta um comportamento pouco comum entre aranhas: a formação de grandes estruturas de teia utilizadas por grupos de indivíduos.
A espécie possui registros recentes na região amazônica. No Parque Amazônico da Guiana, por exemplo, há observações de Anelosimus eximius. (Biodiversité Parc Amazonien Guyane)
O comportamento social chama atenção porque muitas espécies de aranhas são solitárias.
A vida em grupo permite que vários indivíduos compartilhem uma estrutura de teia e cooperem na captura de presas, tornando a espécie um dos exemplos mais interessantes de organização coletiva entre aranhas.
10. Aranha-caranguejeira-arborícola (Avicularia avicularia)

As caranguejeiras do gênero Avicularia estão entre as aranhas que ocupam ambientes acima do solo.
Avicularia avicularia possui registros na região amazônica, incluindo observações no Parque Amazônico da Guiana. (Biodiversité Parc Amazonien Guyane)
Diferentemente de muitas espécies que vivem no chão, essas caranguejeiras podem ocupar cavidades e estruturas presentes na vegetação.
As caranguejeiras são frequentemente temidas pelo tamanho e pela quantidade de pelos, mas pesquisadores do Instituto Butantan destacam que, apesar da aparência, as caranguejeiras não oferecem o mesmo risco médico associado aos gêneros Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus. (CDC Butantan)
Por que as aranhas são importantes para a Amazônia?
As aranhas ocupam diferentes posições nas cadeias alimentares da floresta. Algumas capturam presas em teias; outras caçam ativamente no solo, sobre troncos ou entre as folhas.
Essa diversidade de estratégias ajuda a explicar por que as aranhas estão presentes em praticamente todos os ambientes da floresta.
E ainda há muito a descobrir. Levantamentos realizados na Amazônia registram centenas de espécies e morfoespécies, enquanto novas pesquisas continuam ampliando o conhecimento sobre a fauna da região. No Pico da Neblina, por exemplo, pesquisadores registraram centenas de espécies de aranhas durante levantamentos em diferentes altitudes. (ResearchGate)
Aranhas perigosas: o que fazer em caso de picada?
A maioria das aranhas não causa acidentes graves em seres humanos. No Brasil, os gêneros de maior importância médica são Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus. (Instituto Butantan)
O Instituto Butantan orienta que, em caso de acidente, a pessoa lave o local com água e sabão e procure atendimento médico. Não é recomendado tentar identificar a espécie apenas pela aparência ou realizar procedimentos caseiros. (Publicações Educativas)
O soro antiaracnídico é utilizado no tratamento de casos indicados envolvendo aranhas dos gêneros Phoneutria e Loxosceles. (Instituto Butantan)
Se possível e sem colocar a pessoa em risco, uma fotografia do animal pode ajudar os profissionais de saúde na identificação. O mais importante, porém, é não tentar capturar a aranha com as mãos.
SAIBA MAIS
A Amazônia abriga uma diversidade muito maior de aranhas do que as espécies apresentadas nesta lista. Inventários científicos realizados no Amazonas já registraram centenas de espécies, incluindo animais que vivem no solo, na vegetação, em troncos e em teias. (Acta INPA)
A identificação correta é importante principalmente quando existe suspeita de acidente com uma espécie de importância médica. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento de saúde.
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