O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que vai designar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). De acordo com o comunicado emitido pelo Departamento de Estado, a medida passa a valer a partir do dia 5 de junho, com base em uma ordem executiva do presidente Donald Trump.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou as facções como duas das organizações mais violentas do Brasil, destacando que suas redes ilícitas ultrapassam as fronteiras nacionais. O governo brasileiro vinha tentando evitar a classificação nos últimos meses, temendo que o novo status abra caminho para sanções econômicas severas ou intervenções militares estrangeiras.
Risco à soberania e impactos em investigações
Especialistas alertam que a medida representa um risco real à soberania do Brasil e pode comprometer a cooperação investigativa entre os dois países. Com a mudança, o nível de sigilo das informações compartilhadas passaria a ser centralizado pela CIA ou por órgãos militares dos EUA, o que pode inviabilizar ações conjuntas em andamento contra o crime organizado.
A decisão faz parte da reorientação da política externa de Washington para a América Latina neste novo mandato de Trump, que foca no combate ao que chama de “narcoterrorismo”. Recentemente, a justificativa embasou o bombardeio de embarcações no Caribe e a operação militar no início do ano que resultou na deposição de Nicolás Maduro na Venezuela.
Contexto político e articulação
A classificação ocorre semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunir com Donald Trump na Casa Branca para discutir frentes de asfixia financeira contra o crime transnacional, embora as facções brasileiras não tivessem sido citadas especificamente na ocasião.
O anúncio de Marco Rubio coincide também com a agenda em Washington do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, que se reuniu com o secretário de Estado nesta quarta-feira (27), um dia após ter sido recebido por Trump na Casa Branca acompanhado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro.
(*) Com informações da Agência Brasil
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