Manaus (AM) – O ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas Vinícius Almeida (Podemos), candidato a deputado estadual, foi alvo de uma operação de busca e apreensão na manhã de quinta-feira, 1º de outubro, em Manaus. A ação aconteceu três dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro.
As equipes cumpriram mandados na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), no bairro Santo Agostinho, e na casa do coronel, no Adrianópolis. A investigação apura se servidores e veículos da secretaria foram usados em benefício da campanha.
Operação teve seis mandados autorizados pela Justiça Eleitoral
A Justiça Eleitoral autorizou seis mandados, segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM). Um condomínio na avenida Torquato Tapajós também foi alvo de buscas.
Os investigadores querem esclarecer as seguintes suspeitas:
- uso de veículo oficial na campanha;
- servidores trabalhando para o candidato durante o expediente;
- um servidor que coordenaria um comitê sem ter se afastado do cargo;
- um imóvel não declarado à Justiça Eleitoral, que funcionaria como estrutura paralela de campanha;
- possível uso de caixa dois.
Nenhuma dessas suspeitas foi comprovada até agora.
Na sede da SSP-AM, servidores foram reunidos no auditório enquanto as equipes faziam as buscas. Alguns atendimentos ao público ficaram suspensos durante a manhã, entre eles a emissão de documentos de identidade.
Apreensão de dinheiro não foi confirmada oficialmente
Cerca de R$ 100 mil em espécie teriam sido apreendidos na casa de um dos alvos. O portal BNC Amazonas, citando fontes federais, publicou que dinheiro e garrafas de vinho foram encontrados na casa do ex-secretário.
Órgãos divergem sobre quem comanda a investigação
As notas oficiais trazem versões diferentes. Segundo o MPAM, o Ministério Público Federal (MPF) pediu as buscas depois de receber informações de setores do próprio MPAM, como prevê uma resolução do Conselho Nacional do Ministério Público.
Ainda segundo o MPAM, a operação foi conduzida pelo Ministério Público Eleitoral e executada pela Polícia Federal, e o órgão estadual apenas ajudou na organização.
Já a Polícia Federal afirmou que a responsabilidade é do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. A corporação disse ter dado apenas apoio operacional.
As duas instituições orientaram a imprensa a procurar os responsáveis pela investigação eleitoral.
Vinícius Almeida nega irregularidades
Em vídeo publicado nas redes sociais, Vinícius Almeida negou qualquer irregularidade e chamou o caso de “eleitoral e político”. Ele lembrou que tem 32 anos de serviço público, sem acusação de crime.
“Não seria agora nas eleições que eu sujaria as minhas mãos de lama”, afirmou. O candidato disse confiar na Justiça Eleitoral. “Lá nós provaremos que nada estamos fazendo de errado, porque verdadeiramente não estamos”, completou. Ele disse ainda que vai manter a campanha até domingo.
Quem é Vinícius Almeida
Marcus Vinícius Oliveira de Almeida é coronel da Polícia Militar e já comandou a corporação. Foi secretário de Segurança Pública no governo de Wilson Lima (União Brasil) a partir de agosto de 2023.
Ele deixou o cargo em 2026 para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Em vídeo, disse ter saído em março.
O que acontece agora
Se suspeitas confirmadas, o caso pode resultar em uma ação por abuso de poder político e econômico. Esse tipo de ação pode levar à cassação do registro ou do diploma e à inelegibilidade.
Vinícius Almeida poderá receber votos no domingo, 4 de outubro.
O Portal Meu Amazonas procurou o Ministério Público Eleitoral, a SSP-AM e o Governo do Amazonas. O espaço segue aberto para manifestação.
LEIA MAIS:
Mulher sobrevive a duas injeções letais em execução nos EUA
Produção de cupuaçu no Amazonas é 9 vezes menor que no Pará
Incêndio devastador no Cacau Pirêra provoca alerta severo para qualidade do ar
Quer receber notícias no seu WhatsApp ?-CLIQUE AQUI
Fale com a Redação: E-mail: [email protected] e WhatsApp: (92) 99148-8431