Manaus (AM) – O candidato ao governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) propõe criar brigadas de combate a incêndios nos 62 municípios do estado e ampliar o monitoramento de queimadas com câmeras, drones e satélites. As medidas integram seu plano de governo e buscam antecipar a identificação de áreas de risco e coordenar a resposta dos órgãos públicos.
A proposta surge em meio ao agravamento dos incêndios florestais e dos episódios de fumaça que atingem a capital e cidades do interior. Segundo o Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 7.815 focos de incêndio entre janeiro e 12 de outubro de 2026. O número representa aumento de 116% em relação ao mesmo período de 2025.
A crise também afetou serviços públicos. Em outubro, a fumaça levou à suspensão de aulas e de atividades ao ar livre em Manaus. Diante do cenário, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou reforço na fiscalização, mobilização de brigadistas e monitoramento diário dos focos de calor.
O plano de Omar Aziz apresenta medidas voltadas à prevenção, ao combate direto ao fogo e à responsabilização por infrações ambientais.
Brigadas nos 62 municípios
O projeto prevê a criação de brigadas de combate a incêndios em parceria com as prefeituras. O governo estadual ficaria responsável por apoiar a capacitação das equipes, fornecer equipamentos e contribuir financeiramente para a estruturação dos grupos.
A proposta busca atender também municípios do interior que enfrentam dificuldades para manter equipes próprias de prevenção e combate ao fogo.
“ No nosso governo, vamos criar brigadas em todos os municípios em parceria com os prefeitos. Equipar essas brigadas para que a gente possa combater o incêndio e comprar, sim, aviões necessários de combate ao incêndio”, afirmou Omar.
O candidato também defende a compra de aeronaves para apoiar as operações. O plano apresentado, porém, não detalha a quantidade de aviões, o investimento previsto, o cronograma de aquisição ou os critérios para distribuir os equipamentos entre os municípios.
A implantação de brigadas em todo o estado exigiria ainda planejamento para contratação ou mobilização de pessoal, treinamento, manutenção dos equipamentos e financiamento permanente das equipes.
Tecnologia para antecipar focos de incêndio
Outra frente do plano é a criação de um sistema de alerta precoce para queimadas. A proposta prevê informações georreferenciadas e notificações destinadas às prefeituras e aos órgãos de Defesa Civil.
O objetivo é identificar ocorrências com rapidez e permitir que as equipes atuem antes que o fogo alcance áreas maiores.
O plano também prevê a instalação de salas de situação em cinco municípios-polo, que serão escolhidos conforme a incidência dos problemas ambientais.
Essas estruturas deverão reunir informações de monitoramento para orientar decisões preventivas e emergenciais. Entre as ferramentas citadas estão os sistemas PRODES e DETER, mantidos pelo Inpe.
O DETER produz alertas de alterações na cobertura florestal para apoiar a fiscalização. Já o PRODES mede a taxa anual de desmatamento por meio de monitoramento por satélite. Embora contribuam para a gestão ambiental, os sistemas têm finalidades diferentes e não substituem o monitoramento específico de focos de calor.
A proposta não informa quais municípios receberiam as salas de situação, qual tecnologia seria adquirida nem quanto custaria a implantação e a manutenção do sistema.
Integração entre órgãos ambientais e de segurança
O plano prevê operações conjuntas entre o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Ibama, a Polícia Militar Ambiental, a Polícia Federal e a Força Nacional.
A integração seria formalizada por acordos de cooperação técnica, com o objetivo de coordenar fiscalização, monitoramento e resposta aos incêndios.
A proposta envolve instituições com atribuições distintas. O governo estadual pode organizar suas equipes e ampliar a cooperação com os municípios, enquanto a atuação de órgãos federais depende das competências legais de cada instituição e dos mecanismos de articulação entre os governos.
O MPF recomendou que órgãos federais, o governo estadual e nove prefeituras reforçassem as ações contra queimadas e desmatamento. Entre as medidas cobradas estão a mobilização emergencial de brigadistas, a criação de bases operacionais e o acompanhamento diário dos focos de calor.
As recomendações estabelecem prazo para manifestação dos destinatários e apresentação de cronogramas.
Plano prevê responsabilização por infrações ambientais
O documento também propõe reforçar os mecanismos de responsabilização por ilícitos ambientais.
Uma das medidas é criar um sistema que vincule o CPF ou o CNPJ aos ilícitos identificados. O plano prevê ainda restrições ao acesso a crédito rural e a políticas públicas nos casos previstos.
A execução dessas medidas dependeria de regras claras, integração entre bases de dados e respeito à legislação aplicável. Eventuais restrições precisam observar os procedimentos legais, a competência de cada órgão e o direito de defesa dos envolvidos.
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