Manaus (AM) – O governo federal ampliará o combate aos incêndios florestais no Amazonas com o envio de mais 29 bombeiros e nove viaturas da Força Nacional de Segurança Pública. Com o reforço, a mobilização do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) no estado chegará a 160 profissionais.
A medida ocorre em meio ao avanço dos focos de incêndio, à estiagem e aos impactos da fumaça sobre a população. O governo também prepara ações para enfrentar os possíveis efeitos do El Niño de 2026/2027.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o deslocamento das equipes ocorrerá em três etapas, com conclusão prevista para 21 de outubro.
Enquanto o governo amplia a estrutura operacional, o Ministério Público Federal (MPF) cobra medidas de fiscalização, mobilização de brigadistas e monitoramento dos incêndios. As recomendações alcançam o Ibama, o governo estadual e nove prefeituras.
Focos de incêndio aumentam em relação a 2025
O Amazonas registrou 7.815 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 12 de outubro de 2026, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O total representa alta de aproximadamente 116% em relação aos 3.611 focos contabilizados no mesmo período de 2025.
Apesar do crescimento anual, o acumulado estava 12% abaixo da média histórica para o intervalo, conforme os dados divulgados na ocasião.
Os registros de satélite identificam focos de calor e não correspondem necessariamente ao número de incêndios distintos, à área queimada ou às ocorrências atendidas pelas equipes em campo.
Força Nacional ampliará efetivo e frota
O reforço anunciado pelo MJSP acrescentará 29 bombeiros e nove viaturas à operação no Amazonas. Com a conclusão dos deslocamentos, o efetivo de bombeiros da própria Força Nacional passará de 11 para 40 profissionais.
A composição total da mobilização do ministério será de 120 bombeiros contratados a serviço da Força Nacional e 40 bombeiros integrantes da instituição.
A frota destinada aos bombeiros da Força Nacional também crescerá. O número de viaturas passará de três para 12.
Atualmente, os 11 integrantes e os três veículos estão empregados em Humaitá, Lábrea e Apuí, no sul do Amazonas. As equipes atuam em ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
O reforço busca ampliar a capacidade de resposta em um estado que enfrenta grandes distâncias, áreas de difícil acesso e desafios logísticos para mobilizar equipes e equipamentos.
Envio de equipes ocorre em três etapas
O deslocamento dos novos profissionais e veículos foi organizado em três etapas, conforme o planejamento divulgado pelo governo federal.
Na quarta-feira (14), seguiram para o Amazonas 13 bombeiros e quatro viaturas. O grupo reuniu seis profissionais e dois veículos de Roraima, três bombeiros e uma viatura de Rondônia, além de quatro profissionais e uma viatura do Pará.
A segunda etapa está prevista para esta quinta-feira (15), com outros 13 bombeiros e quatro veículos. O deslocamento inclui três profissionais e uma viatura de Mato Grosso, além de dez bombeiros e três viaturas do Distrito Federal.
A última etapa está programada para 21 de outubro, quando mais três bombeiros e uma viatura deverão sair de Roraima rumo ao Amazonas.
Ao final da mobilização, a estrutura dos bombeiros da Força Nacional deverá alcançar 40 profissionais e 12 viaturas.
Avião da FAB reforça combate aéreo
A mobilização de equipes terrestres ocorre paralelamente ao emprego de aeronaves no combate aos incêndios.
Em 14 de outubro, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, esteve em Manaus com os presidentes do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Durante a agenda, a comitiva visitou um avião KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB), equipado com o Sistema Modular Aerotransportável de Combate a Incêndios (MAFFS II).
Segundo a fabricante Embraer, o sistema permite lançar cerca de 12 mil litros de água em aproximadamente sete segundos.
O lançamento aéreo pode auxiliar no controle das chamas em áreas de difícil acesso. A operação depende, porém, da atuação de brigadistas em solo e da estrutura logística para reabastecer o equipamento entre os voos.
Até o fechamento desta reportagem, não havia um balanço consolidado do número de missões realizadas pelo KC-390 no Amazonas, das áreas atendidas ou do volume total de água lançado.
MPF cobra ações de órgãos públicos e prefeituras
Em 13 de outubro, o Ministério Público Federal expediu três recomendações para reforçar o combate às queimadas e ao desmatamento no Amazonas.
O procurador da República Carlos Vinicius Soares Cabeleira assinou os documentos, que estabelecem cobranças ao Ibama, ao governo estadual e às prefeituras de Manaus, Itacoatiara, Careiro da Várzea, Careiro, Manaquiri, Autazes, Manacapuru, Presidente Figueiredo e Iranduba.
Entre as medidas recomendadas estão a intensificação da fiscalização em unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos do Incra e imóveis rurais.
O MPF também cobrou mobilização emergencial de brigadistas, instalação de bases operacionais avançadas e monitoramento diário dos focos de calor e da fumaça que alcança Manaus.
Os destinatários receberam prazo de cinco dias para informar se acatam as recomendações. O órgão advertiu que poderá recorrer à Justiça, inclusive por meio de ação civil pública, caso as providências necessárias não sejam adotadas.
MJSP também fornece equipamentos aos bombeiros do Amazonas
Além do reforço da Força Nacional, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou ter destinado equipamentos ao Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
Levantamento atualizado em 31 de agosto registra a entrega de 398 equipamentos de proteção individual, 83 outros equipamentos, três veículos Ranger e três embarcações.
Entre os materiais destinados às equipes estão equipamentos de proteção para combate a incêndios, proteção respiratória e mochilas costais anti-incêndio.
Os recursos ampliam a estrutura disponível para os profissionais estaduais. O levantamento, contudo, não detalha quantos desses equipamentos estavam em uso durante a operação de outubro nem quais municípios receberam cada item.
A presença da Força Nacional no Amazonas também abrange outras frentes de segurança pública, incluindo segurança de fronteira, proteção de servidores e instalações da Funai, policiamento fluvial e enfrentamento a crimes ambientais.
As ações alcançam pontos estratégicos como Manaus, Tabatinga, Atalaia do Norte, Coari, Humaitá, Lábrea e Apuí, além dos corredores dos rios Negro e Solimões e da região da tríplice fronteira.
El Niño entra no planejamento federal
O reforço no Amazonas faz parte da preparação do governo federal para o período de maior risco climático associado ao El Niño de 2026/2027.
Entre as medidas de planejamento estão a previsão de 4.410 brigadistas federais vinculados ao Ibama e ao ICMBio.
Os estados também estão capacitando 5 mil bombeiros, brigadistas e integrantes de povos e comunidades tradicionais, como contrapartida de projetos financiados pelo Fundo Amazônia.
O fundo prevê ainda R$ 371 milhões para equipamentos de prevenção e combate a incêndios florestais nos nove estados da Amazônia Legal. Os projetos contemplam veículos, equipamentos de proteção individual e reforma de bases operacionais.
Os valores e quantitativos apresentados pelo governo representam a estrutura prevista no planejamento informado. Não devem ser interpretados como prova de que todos os recursos já foram entregues ou de que todos os profissionais estão mobilizados simultaneamente no Amazonas.
O El Niño é um fenômeno climático que altera a circulação atmosférica e pode favorecer condições mais quentes e secas em partes da Amazônia. Seus efeitos variam conforme a região e a época do ano. A ocorrência de incêndios também depende de fatores como uso do fogo, desmatamento, vegetação seca e condições locais.
Fumaça afeta a rotina de Manaus
A crise ambiental também repercute na saúde pública e nos serviços municipais.
Em 14 de outubro, a Prefeitura de Manaus suspendeu aulas da rede municipal e atividades ao ar livre e em locais com aglomeração até o dia 18, segundo informações divulgadas naquele momento.
A fumaça contém partículas finas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos que exigem atenção especial durante episódios de poluição atmosférica.
A concentração de fumaça pode variar ao longo do dia e conforme as condições meteorológicas. Por isso, o acompanhamento da qualidade do ar e a divulgação de orientações sanitárias podem reduzir a exposição da população à poluição atmosférica.
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