Dor ao toque, sensação de peso nas pernas e manchas roxas que aparecem com facilidade estão entre os sinais de lipedema. A doença afeta o tecido de gordura sob a pele e ainda é confundida com obesidade. Segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema, ela pode atingir 12,3% das mulheres adultas no país, o que equivale a cerca de uma em cada oito.
O número vem de um estudo publicado em 2022 no Jornal Vascular Brasileiro, coordenado pelo cirurgião vascular Alexandre Amato. A estimativa foi feita com base em questionário, sem exame clínico. Por isso, indica a dimensão provável do problema, e não o número de diagnósticos confirmados.
Quais são os sinais de lipedema
Segundo a médica Bruna D’Ávila, professora de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica, em Manaus, quatro sinais podem levantar a suspeita:
- dor ou sensibilidade ao toque;
- sensação de peso nos braços ou nas pernas;
- distribuição desigual da gordura;
- facilidade para ter manchas roxas, chamadas de equimoses.
“Dor e sensibilidade nas pernas não devem ser automaticamente consideradas consequência do peso corporal. Se uma mulher sente desconforto ao toque, sensação de peso ou dor persistente, vale investigar”, afirma.
No lipedema, a gordura costuma se acumular dos dois lados do corpo, de forma simétrica, nas pernas e nos braços. Mãos e pés costumam ficar de fora. A médica ressalta que nenhum desses sinais, sozinho, confirma o diagnóstico.
Lipedema confundido com obesidade
Na obesidade, a gordura se distribui pelo corpo todo e diminui com a perda de peso. No lipedema, o tecido de gordura dos membros tem alterações próprias, costuma doer e nem sempre responde à dieta.
Por isso, a ideia de que o lipedema é só “gordura que não emagrece” é um mito, segundo Bruna D’Ávila. A doença pode aparecer ou piorar em fases de mudança hormonal, como a puberdade, a gravidez e a menopausa.
O diagnóstico é clínico. O médico avalia o histórico da paciente, a evolução dos sintomas e o exame físico, e não apenas o peso ou o índice de massa corporal (IMC).
Como é o tratamento
O tratamento depende dos sintomas, da mobilidade e do impacto na qualidade de vida. Ele pode envolver nutrólogo, fisioterapeuta, cirurgião vascular ou angiologista, profissional de educação física e psicólogo.
Alimentação equilibrada e atividade física continuam importantes, sobretudo quando há excesso de peso. O problema, segundo a médica, é reduzir o cuidado a dietas restritivas.
“Tratar o lipedema não é abandonar o cuidado com o peso. É deixar de reduzir toda a saúde da mulher apenas ao peso”, diz.
O Consenso Brasileiro de Lipedema publicado em 2025 pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), contou com mais de 170 profissionais. O documento recomenda começar pelo tratamento clínico: mudanças de hábitos, terapia de compressão e exercícios de baixo impacto. A cirurgia só deve ser considerada depois de pelo menos um ano desse tratamento.
Lipedema reconhecido como doença pela OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o lipedema na nova Classificação Internacional de Doenças, a CID-11. No Brasil, porém, a CID-11 ainda não está em uso. Em 2025, o Ministério da Saúde adiou a adoção para 2027.
O reconhecimento oficial deve facilitar o acesso ao tratamento pelo SUS e pelos planos de saúde.
Saiba mais: atendimento gratuito em Manaus
A Afya Educação Médica oferece consultas gratuitas de nutrologia e outras especialidades em Manaus. Os atendimentos são feitos por médicos em formação nos cursos de pós-graduação, com supervisão.
- Onde: avenida André Araújo, nº 2767, bairro Aleixo, zona Centro-Sul.
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