Guerra no Irã eleva custo do frete fluvial no Amazonas

Diesel, que representa até metade dos custos das embarcações, está 40% mais caro que em janeiro, enquanto a estiagem aumenta o tempo de viagem e reduz a capacidade de carga.

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MANAUS (AM) – O aumento no preço internacional do petróleo, provocado pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, já pressiona os custos das empresas de navegação fluvial do Amazonas, principal meio de abastecimento dos municípios do interior. O alerta é do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma).

O conflito no Oriente Médio começou no fim de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos a instalações no Irã. Desde então, o preço do petróleo Brent, principal referência mundial da commodity, passou por forte volatilidade, com picos acima de US$ 100 por barril nos momentos de maior tensão envolvendo o Estreito de Ormuz.

A rota concentra cerca de 20% do transporte marítimo global de petróleo e influencia diretamente os preços internacionais dos combustíveis.

Diesel representa até metade do custo do frete

Segundo o Sindarma, o diesel utilizado pelas balsas representa entre 40% e 50% da planilha de custos do transporte fluvial no Amazonas.

O vice-presidente da entidade, Madison Nóbrega, afirma que o preço do combustível subiu rapidamente no primeiro semestre e recuou parcialmente após a redução de impostos federais, mas ainda permanece acima do valor registrado antes do conflito.

“Os custos aumentaram 100%. O preço do diesel está 40% mais caro do que em janeiro e os custos operacionais também subiram e vão aumentar mais com a seca”, afirmou Nóbrega.

De acordo com o dirigente, as empresas de transporte ainda tentam absorver parte dos aumentos para evitar o repasse imediato aos clientes. No entanto, um eventual agravamento do conflito pode resultar em novos reajustes no valor do frete.

Estiagem aumenta custos das viagens

Além da alta dos combustíveis, o período de estiagem nos rios amazônicos também pressiona os custos das transportadoras.

Com a redução do nível dos rios, as viagens ficam mais longas e as embarcações passam a enfrentar restrições de navegação. Em trechos da bacia do rio Madeira, por exemplo, a circulação noturna é proibida como medida de segurança devido à presença de pedrais e bancos de areia.

Segundo Nóbrega, o tempo de viagem pode chegar ao dobro durante o período de seca. Com isso, aumentam os gastos com combustível, equipamentos, tripulação e escoltas armadas contratadas para reduzir riscos durante o deslocamento das embarcações.

Ao mesmo tempo, a menor profundidade dos rios reduz o volume de carga transportado em cada viagem e aumenta a pressão sobre os custos da operação.

Sindarma pede redução do ICMS

Para tentar evitar que os aumentos cheguem ao consumidor final, o Sindarma defende a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel durante os meses de estiagem.

A entidade informou que prepara um estudo técnico sobre o consumo e os custos do combustível durante o período de seca. O levantamento deverá ser encaminhado ao Governo do Amazonas.

O Portal Meu Amazonas procurou a Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM) para comentar o pedido de redução do ICMS e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.


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Luiz Marcelo
Luiz Marcelohttps://portalmeuamazonas.com.br
Luiz Marcelo já escolheu seu lugar no mundo: na fronteira entre o jornalismo e o universo digital. Curioso por natureza, navega pela internet com olhar editorial — sempre em busca de pautas de interesse à população amazônida. Cada texto que escreve é uma chance de entender melhor a Amazônia e as histórias que ela guarda.

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