Debate na Câmara discutiu custo Brasil e competitividade das empresas nacionais
Brasília (DF) – Representantes do setor empresarial defenderam nesta quarta-feira (7), na Câmara dos Deputados, a redução de encargos trabalhistas e criticaram propostas que discutem o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil.
O tema foi debatido durante audiência da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, em meio ao avanço das discussões sobre redução da jornada de trabalho no país.
Empresários afirmaram que mudanças na escala sem aumento de produtividade podem elevar custos das empresas e reduzir competitividade da indústria nacional diante de produtos importados.
Para Fábio Augusto Pina, representante da Fecomércio SP, a discussão sobre jornada de trabalho não deveria ocorrer em período eleitoral.
“Ninguém discutiu se isso é viável e tem que ser viável através da produtividade”, afirmou.
O vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Ordine, afirmou que acordos trabalhistas já permitem negociações sobre escalas reduzidas sem necessidade de mudança na legislação.
“Através dos acordos trabalhistas, podemos ajustar essas condições”, declarou.
A audiência ocorreu após a Comissão apresentar cronograma para discutir propostas relacionadas ao fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar um.
Empresários apontam impacto do “custo Brasil”
Durante o debate, economistas e representantes industriais também criticaram fatores que encarecem a produção nacional.
O economista Carlos Costa estimou o chamado “custo Brasil” em R$ 1,5 trilhão por ano, valor que representaria a diferença entre produzir no Brasil e em países desenvolvidos.
Segundo ele, encargos trabalhistas elevados, carga tributária e custos estruturais reduzem competitividade e dificultam crescimento econômico.
Renato Corona, representante da Fiesp, afirmou que produtos brasileiros custam, em média, 24,1% mais caro que importados.
Ele também declarou que a carga tributária brasileira representa cerca de 32,5% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da média de países parceiros comerciais do Brasil.
Debate sobre jornada divide opiniões
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses após movimentos trabalhistas e parlamentares defenderem jornadas menos exaustivas e maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Por outro lado, representantes empresariais alertam para riscos de aumento de custos operacionais, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, serviços e indústria.
A deputada federal Adriana Ventura, autora do requerimento da audiência, defendeu a participação de representantes patronais em todos os debates sobre mudanças nas regras trabalhistas.
SAIBA MAIS
A escala 6×1 é um dos modelos mais comuns no mercado brasileiro, principalmente em comércio, supermercados, serviços e indústrias. Nesse formato, o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga um.
Nos últimos anos, propostas de redução de jornada ganharam força em diferentes países, impulsionadas por debates sobre saúde mental, produtividade e qualidade de vida no ambiente de trabalho.
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