Manaus (AM) – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta quinta-feira (7), um pedido liminar de habeas corpus apresentado pela defesa de Cleusimar de Jesus Cardoso, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, encontrada morta em Manaus em 2024.
Cleusimar está presa preventivamente desde o ano passado por suspeita de tráfico de drogas e associação para o tráfico no caso que investiga o uso e distribuição de cetamina, substância anestésica de uso humano e veterinário. A decisão foi assinada pelo ministro Sebastião Reis Júnior.
A defesa alegou excesso de prazo na prisão e pediu a substituição da medida por alternativas cautelares, como monitoramento eletrônico e comparecimento periódico à Justiça.
Segundo os advogados, Cleusimar estaria presa há cerca de 700 dias e o processo teria permanecido parado por aproximadamente 153 dias após a anulação de uma sentença condenatória.
Entenda o caso
Ao analisar o pedido, o ministro afirmou que ainda não existem elementos suficientes para conceder liberdade imediata à investigada.
Na decisão, Sebastião Reis Júnior destacou que o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) manteve a prisão preventiva com base na gravidade concreta das acusações, na suposta atuação estruturada do grupo investigado e no uso de ambientes familiares e comerciais para distribuição de drogas e medicamentos controlados.
O magistrado também considerou que os argumentos da defesa sobre excesso de prazo e ausência de fatos recentes precisam ser analisados de forma mais aprofundada após atualização do andamento processual.
Na quarta-feira (6), o STJ já havia negado pedido semelhante apresentado pela defesa de Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja Cardoso.
O que muda
Com a negativa do habeas corpus liminar, o STJ determinou que a 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas de Manaus envie informações atualizadas sobre o andamento da ação penal, incluindo possível nova sentença e a situação prisional de Cleusimar.
O tribunal também solicitou detalhes ao TJAM sobre pedidos anteriores negados pela Justiça estadual.
O caso ganhou repercussão nacional após a morte de Djidja Cardoso, encontrada morta dentro de casa em Manaus no dia 28 de maio de 2024, aos 32 anos.
Segundo a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), as investigações apontam que familiares e pessoas próximas integrariam o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, suspeito de incentivar o uso indiscriminado de cetamina, substância associada a efeitos alucinógenos e dependência química.
Além de Cleusimar e Ademar, outras pessoas ligadas ao caso também foram presas, entre elas integrantes de uma clínica veterinária investigada por fornecer a substância.
SAIBA MAIS
Entre 2016 e 2020, Djidja Cardoso ficou conhecida nacionalmente ao representar a sinhazinha da fazenda do Boi Garantido no Festival Folclórico de Parintins.
Meses antes da morte, ela relatou nas redes sociais que enfrentava problemas de saúde, incluindo depressão.
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