Manaus (AM) – O mercado de trabalho no Amazonas fechou o segundo trimestre de 2026 com mais pessoas ocupadas e menos desemprego. A renda média dos trabalhadores, porém, recuou na comparação com os três meses anteriores. Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na sexta-feira, 14 de agosto de 2026.
Ocupação sobe 4,8% em três meses
O Amazonas somou 1,847 milhão de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em junho, alta de 85 mil pessoas (4,8%) frente aos 1,762 milhão do trimestre anterior. O IBGE classifica essa variação como crescimento. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando havia 1,834 milhão de ocupados, o avanço de 13 mil pessoas (0,7%) ficou dentro da margem de estabilidade estatística.
O nível de ocupação — percentual de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar — subiu de 54,9% para 56,9% no trimestre, alta de 2,0 pontos percentuais. A taxa de participação na força de trabalho também cresceu, de 59,9% para 61,5%.
A força de trabalho total, que soma ocupados e desocupados, chegou a 1,997 milhão de pessoas, 75 mil a mais (3,9%) que no trimestre anterior. Já o número de desocupados recuou para 150 mil pessoas, queda de 10 mil (-6,3%) — variação que o IBGE também considera estatisticamente estável.
Desemprego recua a 7,5%, menor nível do ano
A taxa de desocupação no Amazonas ficou em 7,5% no segundo trimestre, ante 8,3% no primeiro — recuo que o IBGE trata como estável dentro da margem de erro da pesquisa. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando o indicador estava em 7,7%, a queda também não é considerada significativa pelo instituto. Ainda assim, o número acompanha o avanço da ocupação e o encolhimento da força de trabalho subutilizada, detalhado mais adiante.
Setor público puxa alta do emprego com carteira
Entre as pessoas ocupadas por posição na ocupação, o grupo dos empregados foi o que mais cresceu no trimestre: subiu de 1,059 milhão para 1,117 milhão, incremento de 57 mil pessoas (5,4%).
O setor público concentrou o avanço. A administração pública somou 327 mil trabalhadores, alta de 29 mil pessoas (9,8%) — o único segmento, além do total de empregados, com crescimento estatisticamente significativo na categoria. Dentro do funcionalismo, os empregados sem carteira assinada lideraram a expansão: 138 mil pessoas, 21 mil a mais (17,9%) no trimestre.
No setor privado, sem contar o trabalho doméstico, a ocupação somou 713 mil pessoas, variação estável de 27 mil (4,0%). Os empregados com carteira nesse setor chegaram a 461 mil, alta de 25 mil (5,7%) no trimestre, enquanto os sem carteira totalizaram 252 mil.
O trabalho por conta própria, uma das principais formas de ocupação no estado, ficou estável em 551 mil pessoas — 500 mil sem CNPJ e 52 mil com CNPJ. Já o número de empregadores saltou de 43 mil, em junho de 2025, para 58 mil um ano depois, alta de 34,9%, puxada pelos empregadores com CNPJ, que passaram de 26 mil para 40 mil.
Indústria perde 32 mil postos em um ano
A indústria geral foi o único setor de atividade a registrar queda estatisticamente significativa no período: de 238 mil ocupados em junho de 2025 para 206 mil um ano depois, perda de 32 mil postos (-13,3%). A construção civil também recuou, de 113 mil para 105 mil pessoas (-7,6%), embora dentro da margem de estabilidade.
Na direção oposta, a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais somaram 391 mil ocupados, alta de 36 mil pessoas (10,1%) — o maior crescimento entre os setores no trimestre. O transporte, armazenagem e correio somou 124 mil ocupados, avanço de 14 mil (12,5%) no trimestre e de 16 mil (14,8%) em um ano.
A agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura seguiu como um dos setores mais dinâmicos do estado: 267 mil ocupados, alta de 31 mil pessoas (13,2%) em um ano. O comércio e reparação de veículos ficou estável, com 322 mil ocupados, assim como os serviços domésticos, com 77 mil trabalhadores.
Amazonas tem a terceira maior informalidade do país
Mais da metade dos trabalhadores ocupados no Amazonas está na informalidade. A taxa chegou a 51,7% no segundo trimestre — o equivalente a 955 mil pessoas sem carteira assinada, sem contribuição previdenciária como conta própria ou em outras condições informais, segundo o IBGE.
O percentual coloca o estado como o terceiro mais informal do Brasil, atrás do Maranhão (56,9%) e do Pará (55,9%), e à frente da Bahia (50,7%) — o quarto estado em que mais da metade da força de trabalho ocupada está fora da formalidade. O grupo reúne majoritariamente estados do Norte e do Nordeste, regiões com maior peso histórico do trabalho por conta própria e da informalidade rural.
No outro extremo do ranking aparecem Santa Catarina (25,4%), o Distrito Federal (28,7%) e o Mato Grosso do Sul (29,2%) — todos com índices inferiores à metade do registrado no Amazonas. Estados de maior peso industrial, como São Paulo (30,1%) e Paraná (30,5%), também têm taxas bem menores, o que evidencia o contraste entre o mercado de trabalho no Norte e no Sul/Sudeste do país.
Renda média recua no trimestre, mas segue acima da de 2025
O rendimento médio mensal habitual dos trabalhadores amazonenses ficou em R$ 2.771 no segundo trimestre de 2026, queda de R$ 69 (-2,4%) frente aos R$ 2.840 do trimestre anterior — variação que o IBGE considera estável. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a renda média era de R$ 2.554, o crescimento de R$ 217 (8,5%) também ficou dentro da margem de estabilidade estatística.
A massa de rendimento, soma de tudo o que os trabalhadores ocupados recebem no estado, somou R$ 4,781 bilhões no trimestre — alta de R$ 126 milhões (2,7%) frente ao trimestre anterior e de R$ 376 milhões (8,5%) em um ano. O avanço da massa salarial, mesmo com a renda média em leve recuo, reflete o aumento no número de pessoas ocupadas no período.
Subutilização da força de trabalho tem a maior queda do levantamento
Os indicadores de subutilização — que somam desocupados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas na força de trabalho potencial — mostraram a melhora mais expressiva do trimestre. A taxa composta caiu de 16,9% para 13,8%, recuo de 3,1 pontos percentuais frente ao trimestre anterior e de 2,1 pontos em um ano — ambas as quedas classificadas como significativas pelo IBGE.
A força de trabalho potencial, formada por quem não procurou emprego mas gostaria de trabalhar ou procurou e não estava disponível, recuou de 126 mil para 94 mil pessoas, queda de 31 mil (-25,0%) no trimestre. Entre elas, as pessoas desalentadas — que desistiram de buscar emprego por acreditar que não vão encontrar — somaram 41 mil, redução de 25 mil (-38,2%) frente ao trimestre anterior.
O percentual de desalentados caiu de 3,3% para 2,0% no trimestre. A subocupação por insuficiência de horas trabalhadas, por sua vez, manteve-se estável em 2,4%, ante 3,4% no trimestre anterior e no mesmo período de 2025.
Mercado de trabalho no Amazonas avança, puxado pelo setor público
O quadro traçado pela PNAD Contínua para o Amazonas no trimestre encerrado em junho mostra recuperação frente ao início do ano: mais pessoas ocupadas, menos desemprego, menos desalento e menor subutilização da força de trabalho. O avanço, porém, concentra-se no setor público e em atividades específicas, como transporte e administração pública, enquanto a indústria segue perdendo postos na comparação anual.
A renda média, ainda que superior à de um ano atrás, recuou frente ao trimestre anterior — um sinal de atenção em um cenário de ocupação em alta.
A confirmação de uma recuperação mais consistente do mercado de trabalho amazonense dependerá do comportamento da indústria e da manutenção da queda na informalidade nos próximos levantamentos do IBGE.
Saiba mais: O que é PNAD Contínua?
A PNAD Contínua é a pesquisa domiciliar do IBGE que mede trimestralmente os indicadores do mercado de trabalho no Brasil, com base em entrevistas por amostragem.
Os dados do segundo trimestre de 2026 (abril, maio e junho) foram divulgados pelo IBGE em 14 de agosto de 2026, com o Amazonas entre as unidades da federação detalhadas no levantamento.
Resumo do conteúdo:
- O mercado de trabalho no Amazonas fechou o segundo trimestre de 2026 com aumento na ocupação, alcançando 1,847 milhão de pessoas empregadas, mas a renda média recuou para R$ 2.771.
- A taxa de desemprego caiu para 7,5%, o menor nível do ano, embora a queda não seja considerada estatisticamente significativa pelo IBGE.
- O setor público liderou o aumento de empregos, com crescimento de 9,8% no número de trabalhadores na administração pública.
- Enquanto a indústria perdeu 32 mil postos de trabalho em um ano, outros setores como agricultura e serviços sociais apresentaram crescimento.
- A informalidade permanece alta, com 51,7% dos trabalhadores amazonenses não tendo carteira assinada, posicionando o estado como o terceiro mais informal do Brasil.
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