PF liga empresários com R$ 1,2 milhão a grupo político de Coari

Investigação da Polícia Federal enviada ao STF relaciona empresários presos com R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo ao deputado federal Adail Filho e ao prefeito de Coari, Adail Pinheiro.

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Investigação enviada ao STF cita deputado federal Adail Filho e prefeito Adail Pinheiro em apuração sobre suspeita de lavagem de dinheiro e contratos públicos


MANAUS (AM) – Investigação da Polícia Federal relacionou três empresários presos com R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo no aeroporto de Brasília ao deputado federal Adail Filho (Republicanos-AM) e ao prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos).

As informações foram reveladas em reportagem publicada pelo portal UOL com base em trechos do inquérito policial.

Segundo a investigação, a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo recursos públicos ligados a contratos municipais e emendas parlamentares.

O caso saiu da Justiça do Distrito Federal e seguiu para o Supremo Tribunal Federal devido à citação de um deputado federal nas investigações.

Empresários presos com dinheiro em mala

Os empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho foram presos em 20 de maio no Aeroporto Internacional de Brasília.

Segundo a investigação, agentes encontraram R$ 1,2 milhão em espécie dentro de uma mala durante fiscalização de rotina.

O dinheiro chamou a atenção após passar pelo raio X do aeroporto. Conforme a PF, os valores estavam distribuídos em centenas de cédulas de R$ 200.

De acordo com os investigadores, os empresários apresentaram versões divergentes sobre a origem do dinheiro e não comprovaram imediatamente a legalidade dos recursos transportados.

PF investiga contratos ligados a Coari

A investigação identificou contratos entre a Prefeitura de Coari e empresas ligadas aos investigados.

Entre elas aparece a empresa Comercial CJ Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., que possui como sócio Cesar de Jesus Gloria Albuquerque.

Segundo o inquérito citado pelo UOL, investigadores encontraram indícios de possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos e movimentações financeiras suspeitas.

A apuração também menciona recursos federais destinados ao município de Coari.

Deputado e prefeito negam irregularidades

O deputado federal Adail Filho afirmou à Polícia Federal que não possui relação comercial com os empresários investigados.

Segundo depoimento citado no inquérito, o parlamentar declarou apenas ter disponibilizado apoio logístico em Brasília a um dos investigados após pedido de aliados políticos.

Já o prefeito Adail Pinheiro também negou envolvimento nas suspeitas investigadas.

A defesa de Vagner Moitinho e do prefeito afirmou que o transporte do dinheiro não configura crime e negou ligação entre os recursos apreendidos e os políticos citados no caso.

Caso chegou ao STF

O ministro Alexandre de Moraes recebeu o processo após a Justiça do Distrito Federal apontar indícios que poderiam envolver autoridade com foro privilegiado.

Até o momento, não há condenações relacionadas ao caso.


ENTENDA

Deputados federais possuem foro privilegiado em determinadas situações investigativas. Quando investigações apontam possível participação de parlamentares federais, processos podem seguir para análise do Supremo Tribunal Federal.

A lavagem de dinheiro ocorre quando recursos de origem supostamente ilícita passam por operações destinadas a ocultar sua origem.


SAIBA MAIS

Coari, no interior do Amazonas, concentra uma das maiores arrecadações municipais da região Norte devido aos royalties pagos pela Petrobras pela exploração de petróleo e gás natural na região. O alto volume de recursos públicos transformou o município em alvo frequente de disputas políticas e investigações relacionadas a contratos e gestão administrativa ao longo dos últimos anos.

Especialistas em controle público apontam que municípios com grandes volumes de recursos públicos frequentemente entram no radar de órgãos de fiscalização devido à dificuldade de monitoramento constante das contratações.


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