Amazonas – Uma menina de 11 anos foi vendida pela própria mãe por R$ 100 para exploração sexual em Envira, município do Amazonas. A criança, que já sofria abusos desde os 9 anos, chegou a engravidar e deu à luz na terça-feira (25). O caso, chocante e revoltante, veio à tona após investigações da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que prendeu a mãe da vítima e um homem de 24 anos, suspeitos de tráfico humano, abandono de incapaz e estupro de vulnerável.
A operação foi realizada pela 66ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Envira, localizada a 1.208 quilômetros de Manaus. Durante coletiva de imprensa, o delegado Paulo Mavignier, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), destacou o trabalho da equipe coordenada pelo delegado Henrique Maciel. Ele ressaltou a gravidade do crime e a importância de combater a normalização da cultura do estupro e do abuso sexual contra crianças e outros grupos vulneráveis.
“Estamos apresentando mais uma prisão por crimes sexuais contra crianças no interior do Amazonas. A vítima inclusive chegou a engravidar e deu à luz na terça-feira (25/02). Reiteramos mais uma vez para que não se normalize a cultura do estupro e do abuso sexual contra grupos vulneráveis. Não se calem e denunciem”, afirmou Mavignier.
Investigações revelam abusos desde os 9 anos
O caso foi descoberto em novembro de 2024, quando a menina foi internada no Hospital de Envira com mal-estar. Após exames, os médicos constataram que ela estava grávida. O Conselho Tutelar do município foi acionado e, durante as investigações, a irmã do homem que convivia com a criança relatou que a mãe da vítima havia entregado a menina a ele em troca de R$ 100 quando ela tinha apenas 9 anos. Desde então, o homem passou a conviver e abusar sexualmente da criança.
A mãe da vítima, que é usuária de drogas, teria feito o acordo para quitar uma dívida relacionada a entorpecentes. A menina, durante depoimento especializado, revelou que o infrator tinha uma dívida com sua mãe e que ela foi usada como “moeda de troca”. Além disso, a vítima relatou que também sofria abusos sexuais, físicos e morais do padrasto, companheiro da mãe, que também está sendo investigado.
Vítima conviveu com agressor por dois anos
A criança conviveu com o agressor por aproximadamente dois anos, período em que foi submetida a constantes violências. Recentemente, ela deu à luz um bebê fruto da relação com o homem de 24 anos. O caso expõe uma realidade cruel de abandono, exploração e violência contra crianças, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Os suspeitos já estão à disposição da Justiça e aguardam transferência para Manaus. Eles responderão pelos crimes de tráfico de pessoas, abandono de incapaz e estupro de vulnerável. As autoridades reforçam a importância de denúncias para combater crimes como este e proteger vítimas em situação de risco.
Combate à cultura do silêncio
O delegado Henrique Maciel enfatizou a necessidade de romper com a cultura do silêncio que muitas vezes envolve casos de abuso sexual, especialmente quando ocorrem dentro de casa ou envolvem familiares. “É fundamental que a sociedade denuncie e que as vítimas sejam protegidas. Crimes como esses não podem ser tolerados”, declarou.
O caso chocante de Envira serve como um alerta para a urgência de políticas públicas eficazes no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes, além da necessidade de conscientização e apoio às vítimas.
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